O segredo da revolução espiritual em tempos difíceis

Estamos familiarizados com aquelas imagens históricas da Europa de Leste, as bandeiras acenando nas ruas, as multidões cantando, os sinais de liberdade crescendo como uma grande onda e varrendo todo o mundo comunista. Nós lembramo-nos do dia em que o muro de Berlim veio abaixo. Mas o que a maioria de nós não viu foi a maré humana que preparou o caminho para esta incrível reviravolta. Não vimos a força por detrás da revolução. Era uma força espiritual. Começou em locais com Nikolaikirche, uma igreja protestante no leste da Alemanha, na cidade de Leipzig. Em 1983, o pastor de lá, decidiu abrir as portas da igreja, cada Domingo à noite, pelo que ele chamava de Friedensgebete, ou “orações pela paz”.

As pessoas vinham para orar e para partilhar. Muitas estavam chateadas, frustradas e com medo. Mas, naquela igreja eles podiam abrir os seus corações abertamente, e podiam sentir que os outros compreendiam. Um dos participantes disse: “Dentro desta igreja, nós temos uma enorme sensação de segurança e aquecimento. As pessoas eram transformadas, não sabemos como. Podíamos notar no apertar a mão de alguém, ou através de alguém lhe dar um abraço inesperado.” Em breve a igreja estava apinhada de pessoas que se queriam juntar ás “orações pela paz”.

Eles costumavam sair a correr para a rua, depois das reuniões, levando velas, esperando alcançar uma mudança de paz para o  seu país. Estas velas alimentavam um certo estilo de fogo. As reuniões da “Orações pela Paz” espalharam-se pelo país da Alemanha de Leste. Tornou-se um movimento. A policia secreta tentava forçar os pastores a acabar com as reuniões, mas este momento espiritual era demasiado grande. Engoliu tudo, tornando-se uma revolução pacifica que fez com que a tirania comunista fosse deitada abaixo.

Surpreende-se ao aprender que foi uma revolução espiritual que varreu o poder do comunismo?

Era uma revolução pacifica que tinha as suas raízes nas igrejas que Cristo fundou. Actualmente, isto não deveria ser uma surpresa. Isto porque Jesus Cristo foi o maior revolucionário que o mundo já conheceu. Isto fez com que os Rabis galileus ficassem sem poder terreno ou posições, criando um movimento que varreu todo o mundo. Nenhuma outra figura singular, teve tamanho impacto e efeito na história humana. Nenhum outro individuo, inspirou tão grande mudança construtiva. Já alguma vez pensou o que seria testemunhar o principio de uma revolução espiritual? Neste artigo, nós voltamos atrás, ao principio de uma revolução que virou o mundo de pernas para o ar, a revolução espiritual de Jesus Cristo. Olharemos bem de perto.

Iremos visitar o epicentro deste explosivo movimento. Vamos dar uma vista de olhos naqueles intensos momentos, quando o cristianismo nasceu. Este vislumbre, chega até nós no formato de duas cartas bastante especiais, que estão escritas na Bíblia, duas epistolas coma na maioria das vezes são chamadas. Foram escritas pelo maior missionário que já existiu na terra – Paulo de Tarso. E elas encontram-se entre as primeiras cartas sobreviventes que nós temos deste grande apostolo. Eruditos têm fixado a data de I Tessalonicensses, em A. D. 51. É mais antiga que qualquer outra epistola, exceptuando talvez a de Gálatas. Portanto, o que nós temos nas cartas de Tessalonicensses, é uma janela que dá para ver a vida da primitiva igreja – conforme estava, no seu começo  e que rapidamente crescia perante o mundo. É um documento que mostra o Espírito de Deus trabalhando com os mais simples instrumentos humanos – tornando-os numa extraordinária comunidade. E estas epistolas, acima de tudo, mostram-nos o contentamento da sua fé.

Estas letras mostram-nos que eles acreditavam o que enfatizavam e que acariciavam como verdadeiro. Portanto, vamos então explorar as cartas de Tessalonicensses, estes documentos cristãos tão preciosos. Vamos descobrir o que fazia dos primitivos crentes tão confiantes. Porque a fé deles pode virar o nosso mundo de pernas para baixo? Há alguma coisa que imediatamente o atinge, quando começa a ler estas cartas. É um certo espírito que transparece destes capítulos, destes versos. Você sabe que algo de maravilhoso está acontecendo aqui, algo positivo, algo de poderoso. Isto não é somente um bonito, mas chato artigo acerca de religião. É uma descrição de fé no seu melhor. Repare no principio de Tessalonicensses 1:

 “Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós nas nossas orações; lembrando-nos, sem cessar, da obra da vossa fé, do trabalho do amor e da paciência da esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo  diante de Nosso Deus e Pai;” I Tessalonicensses 1:2-3.

Paulo encontra a si mesmo a agradecer a Deus em todas as horas. Ele vê coisas incríveis acontecer nas vidas destes crentes. Nesta sua carta, ele não consegue dizer o suficiente acerca da sua fé em expansão, do seu amor abundante, das suas alegrias que florescem para outros. Paulo vê a graça de Deus, Sua paz e conforto ressurgirem neste grupo. Sim, algo espantoso estava a acontecer naquela altura, naquele lugar, no epicentro de uma revolução espiritual, algo de fantástico. Mas, aqui está o facto mais marcante de todos. Esta comunidade de paz e amor foi criada no pior dos momentos. Apercebe-se disso?

Você sabe o que estava a acontecer em Tessalónica, quando Paulo escreveu estas cartas? Perseguição. Aflição. Sofrimento. Não era como ir dar um passeio no parque. Não eram tempos prósperos em qualquer das ruas de Tessalónica. Os crentes estavam sendo feridos, molestados e caçados. Paulo referiu-se a isto inúmeras vezes. Olhe para I Tessalonicensses, capitulo 1, verso 6. Aqui nós lemos o seguinte acerca deste povo:

“E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo;” Em II Tessalonicensses, capitulo 1, verso 4, Paulo diz que se sente orgulhoso, “De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós, nas igrejas de Deus, por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais;”

Estes eram tempos em que os que forçavam os costumes religiosos, podiam ser bastante cruéis. Estes eram tempos em que as pessoas passavam um Domingo à tarde no coliseu, vendo cristãos serem atacados por feras selvagens. Contudo, o que estava a acontecer naquele lugar nos momentos de perseguição? Amor abundante. Continua acção de graças. Alegria constante. Transformações maravilhosas. Que espírito extraordinário. Que comunidade extraordinária. Gostaria também você de partilhar disto? Gostaria você de ter o mesmo espírito que jorra destas epistolas?

Deixe-me dar-lhe um exemplo recente, de como o poder do Espírito de Deus, pode trabalhar através de cartas. Durante os dias do Império Soviético, uma coisa impunha terror em todos os cidadãos russos: o ser mandado para o Goulag. Estas eram uma série de prisões de campo, espalhadas pela tundra gelada da Sibéria. No Goulag, você sentia-se cortado do resto do mundo. Pensava-se que quando alguém ia para lá, era como se morresse e fosse mandado para um planeta gelado.

Num dos campos, perto da vila de Bozoi, era conhecido como o “vale da morte”, porque muitos prisioneiros morreram naquele campo. Eles trabalhavam até à morte sem parar, diariamente – das 5h,30m da manha até ás 2 ou 3 da manha do dia seguinte. Morriam congelados. Algumas das barracas não tinham qualquer aquecimento, o gelo corria pelas espessas paredes e tecto. Eles morriam de tuberculose, por estarem sujeitos a constantes ventos que sopravam pelos campos da Sibéria. Era impossível abandonar aquele sentimento de isolamento, conforme desesperadamente se agarravam à vida, na prisão de Bozoi.

Além disso, os reclusos eram indesejáveis pela sociedade soviética. Eles eram inimigos das pessoas. Poucos se importavam com a sua fé. Em breve familiares e amigos deixariam de escrever. Mas uma mulher de 28 anos, naquele campo, permaneceu incrivelmente ligada – Valentina, aquela com olhos meigos e sorriso amável. Outros prisioneiros estavam-lhe sempre perguntando, “porque é que recebes tantas cartas?” Elas vinham ao mesmo tempo, uma maré de correspondência. Durante as férias, ela recebia trezentas ou quatrocentas cartas. Valentina explicou que tinha amigos. Amigos do tipo muito especial. Eles eram crentes, como ela. Eles tinham paz, amor e alegria para partilhar, no Seu Senhor Jesus Cristo.

A própria Valentina tinha sido presa e enviada para o campo, porque tinha ajudado a distribuir literatura religiosa. Para qualquer outra rapariga nova e atractiva, uma viagem ao Goulag teria sido insuperável, o fim. Mas, Valentina levava as coisas bastante bem. Ela escreveu:

“A preocupação de meus amigos, levantou o meu espírito tremendamente e me deu grande alegria, que jorrou para os outros prisioneiros.”

Aquelas pessoas exaustas, abandonadas e geladas, juntaram-se à volta de Valentina quando ela recebeu o seu correio, como se estivessem à volta de um fogo que aquecia. Todos eles queriam saber quantas havia recebido naquele dia. Todos eles contaram, até os guardas. E Valentina partilhou das suas riquezas. Ela deu aos presos marca páginas que as pessoas lhe enviavam com versículos da Bíblia. Ela convidava os prisioneiros a levar as suas cartas emprestadas, de modo a que eles pudessem copiar os poemas e versos de Salmos. Ela ensinou aos reclusos como cantar hinos que os crentes lhe enviavam. Algumas vezes conforme Valentina passava por um banco, podia ouvir pessoas repetindo e memorizando poemas ou um hino.

As cartas de Valentina, mantiveram as pessoas vivas na gélida Goulag. Eles eram uma continua torrente de paz, amor e alegria num lugar onde só havia desolação. Elas vieram de pessoas que Valentina nunca conheceu; algumas viviam noutros países. Criancinhas escreviam-lhe. Avozinhas escreviam-lhe. Valentina partilhava deste mesmo espírito, com todos estes amigos em Cristo. Eles tinham algo tão forte que podiam aquecer os ventos da Sibéria.

Amigos, é desta maneira que se tem passado na história – desde que Cristo invadiu o nosso mundo. Estas primeiras cartas cristãs, aos Tessalonicensses, continham este espírito. Pense acerca do que elas continham. Se conseguíssemos ao menos alcançar; se pudesse-mos pô-las numa garrafa – eu penso que se tornaria o antídoto para qualquer depressão, o antídoto para a raiva e animosidade, o antídoto para toda a ganância e mesquinhez. Existe cura aqui. Há uma poderosa medicina aqui. Como fazemos uso disso? Como alcançamos nós este espírito? Eu gostaria de dar uma certa perspectiva, um certo ponto de vista, que atravessa estas duas epistolas.

Acredito que esta é a razão primária para que os tessalonicensses possuíssem tanto amor e alegria nos piores dos momentos. É um dos segredos por detrás da sua vibrante fé. Estas cartas que um dia viajaram pelo mar Egeu, e que foram impelidas com espantosa energia espiritual, foram actualmente apontadas para um futuro em particular evento. Um grande evento que domina o horizonte destas mensagens. Este evento, é o regresso do amado, o regresso de Cristo, que primeiro incendiou a grande revolução espiritual, o regresso do Salvador. É interessante notar que cada capitulo de I Tessalonicensses, acaba com uma referencia a esse evento: A segunda volta de Cristo. Dê uma vista de olhos no capitulo 1, verso 10. quando Paulo afirma a sua negação de adorar ídolos, para servir somente o verdadeiro Deus, ele acrescenta:

“E esperar dos céus o Seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livre da ira futura.”

Agora repare nestes maravilhosos versos no fim do capitulo 2:

“Porque, qual é a nossa esperança ou gozo, ou coroa de glória? Porventura não o sois vós, também, diante do nosso Senhor Jesus Cristo, na Sua vinda? Na verdade vós sois a nossa glória e gozo.”

I Tessalonicensses 2:19-20. Paulo estava explodindo com grandes expectativas: vendo estes amigos crentes na presença do glorificado Jesus Cristo, vendo as suas faces iluminarem-se com a glória da vinda de Cristo. Aquela esperança tornou a alegria daquele povo ainda mais intensa. Agora no fim do capitulo 4, contem uma comprida passagem que descreve bem como Cristo irá retornar.

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu, com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.”

I Tessalonicensses 4:16-18. Este era um evento bastante real para este apostolo. Não era algo num futuro muito distante. Ele podia ver Jesus descer do céu. Ele podia ouvir a trombeta de Deus soar. Ele podia ver os crentes serem arrebatados, para se encontrarem com Cristo nos ares. Que grande expectativa! Este é um espectacular evento para que o  possamos desejar. Não admira que dominasse o horizonte destes crentes. Paulo acreditava que o mesmo Cristo que lhe tinha aparecido na estrada de Damasco lhe iria aparecer abrilhantando o céu. Ele acreditava que toda a história se dirigia para um rendezvous com o Cristo ressurrecto, o Cristo que retornaria.

Noutras palavras, Paulo tinha esperança, grande esperança. Os Tessalonicensses tinham esperança. Aquela esperança dominava as suas perspectivas. Dominava todo o horizonte. Mantinham-se ali quando os tempos se tornavam difíceis. Mantinham-se ali quando a perseguição vinha. Mantinham-se ali quando perdiam todas as suas posses. Essa mesma esperança brilha em histórias que nos são permitidas ouvir de crentes russos aprisionados no Goulag, nas histórias de pessoas como Valentina.

Ouvimos acerca de dois crentes que se mantiveram juntos fora das suas barracas, a 40º negativos. Nos poucos minutos que estiveram juntos, eles não falaram acerca das condições miseráveis no seu campo. Eles cantaram e oraram juntos; eles partilharam esperança. Conforme alguém escreveu: “Algumas vezes mantemo-nos quietos, fixando os nossos olhos para o céu. Nada nos era mais querido do que o céu.” Ouvimos de um pastor andando sozinho numa escura e isolada cela que era confortado pela esperança. Ele escreveu: “Durante aqueles longos períodos na restringente solitária, o meu coração se alegrava com a presença do Senhor. Tal como o apostolo Paulo, eu passava horas cantando hinos. Deus nunca me abandonou, nem nas mais escuras e duras horas. As promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo, trabalham para toda a vida.”

Ouvimos acerca de outro pastor enfiado numa cela de uma prisão com setenta perigosos criminosos. Ele pediu se podia cantar um hino para eles – era Domingo de Páscoa. Toda a gente se aquieta. O homem começa a cantar hinos de louvor, e continua a cantar durante uma hora. Ninguém se mexe. Todos os olhos estão virados para ele. Ele canta louvores ao Senhor por mais uma hora. E por uma terceira hora. As faces à sua volta foram capturadas, capturadas durante aqueles momentos por algo de maravilhoso, por esperança, esperança de que outro mundo diferente é bastante real.

Estes crentes tiveram grandes expectativas que transcenderam a escuridão. Os Tessalonicensses tiveram as mesmas grandes expectativas. É por isso que tanto amor, e alegria, e gratidão ressaltavam daquela comunidade; é por isso que jorra destas duas preciosas cartas. É por isso que este precioso povo tinha tão grandes expectativas para cada um deles. Eles tinham grandes expectativas em seus corações, porque tinham grandes expectativas nos céus. Nunca se esqueça disto. Que tipo de expectativas vivemos nós cada dia? Como lhe parece o horizonte para si hoje? Está coberto de nuvens escuras? É você perseguido por desapontamentos? É-lhe difícil olhar para cima, porque parece estar preso em uma aflição seguida de outra? Consegue você manter a esperança, quando os tempos difíceis se aproximam?

Nós precisamos do Espírito que jorra destas epistolas. Como é que lá chegamos? Através de experimentarmos as perspectivas que as dominam. Fixando a nossa esperança no evento que domina o horizonte. A segunda vinda de Cristo, é um evento real, tão real como as grandes manchetes dos jornais hoje em dia. Uma pessoa bastante real irá descer do céu. Ele não é somente alguém que nós vemos com o olhos da fé. Ele não é somente alguém que nós imaginamos a vir em nossa salvação. Ele é o real e histórico Jesus Cristo. E nós iremos nos render perante este evento com outros crentes. Seremos arrebatados juntos para nos encontrarmos com o Senhor nos ares. Esta é a grande expectativa que podemos ter dos céus. É isto que as grandes expectativas podem causar em nossos corações hoje. Torne-a a sua grande expectativa. Torne real a sua esperança. Torne Cristo o seu maior evento no futuro.

Compartilhe esta matéria:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Yahoo! Buzz
  • Twitter
  • Google Bookmarks
  • Google Buzz
  • Live
  • Orkut