Um chamado aos ministros fiéis que permanecem em silêncio

A causa e a solução para a falta da trombeta em nossas fileiras
Por Colin Standish

Apesar das aparências, creio que no mundo ocidental existe, todavia, um número significativo de ministros que em seu coração são fiéis a Deus e à Sua verdade. Não obstante, por várias razões, a maioria destes ministros fiéis permanece em silêncio. Se você é um dele, este artigo é dirigido expressamente para si.

Havendo exercido o pastorado por muitos anos, tanto na obra denominacional como na de Self-Support (obra de sustento Próprio), não ignoro que se requer hoje, não só para ser um ministro fiel de coração, como também para responder na hora de crise em que vivemos. Será este o preço por que muitos ministros fiéis permanecem no silêncio ensurdecedor? Certamente que você reconhece que enfrentamos um tempo em que a apostasia e a maldade que existem em nossa igreja não têm paralelo.

Tem-se apercebido que por todo o lado há milhares que estão dispostos não só a participar desses males, como também a promovê-los e a ensinar a outros a seguir nesse caminho destruidor. Sabe que muitos dos pastores na sua União já não crêem de todo o coração em toda a subtil beleza da mensagem adventista do sétimo dia. Tem se dado conta de que muitos dos pastores são indolentes, egoístas e insensíveis nos seus esforços por vituperar àqueles que são fiéis servos do Senhor.

Reconhece que ainda entre os membros de sua própria igreja há muitos que, se o tempo de graça terminasse hoje, estariam eternamente perdidos. No entanto, falando de um modo geral, você decidiu permanecer calado e neutro perante e esta hora de crise. Por quanto tempo mais ousará permanecer nesse silêncio enquanto milhares de preciosas almas se precipitam para a destruição eterna?

Companheiros de labor, temos que aceitar a terrível realidade de que o juízo dos vivos começa por nós. Pergunto-me se esse juízo já terá começado e se algum dos nossos colegas já selou o seu destino eterno pela sua constante rebelião contra Deus. O Profeta Ezequiel adverte que os anjos destruidores começarão a sua obra pelos homens mais velhos que estavam diante do santuário. (Ver Ezequiel 9:6).

Por vários anos, o Senhor apiedado de Seu povo, tem levantado muitos ministérios para dar a trombeta um sonido certo; para admoestar, não só a um mundo que perece, mas também em muitos casos, a uma igreja que se debilita. A destruição iminente é inevitável, a menos que sejamos reavivados pelo arrependimento e reforma. Esses ministérios têm sido escolhidos por Deus numa época em que as vozes de um número esmagador, tanto de dirigentes como de pastores, têm permanecido em silêncio ou ainda apoiando a grande apostasia que abunda por toda a parte. Estes fiéis obreiros destes ministérios têm sido grandemente caluniados, a sua reputação terrivelmente manchada, os seus caracteres seriamente difamados. Mas eles não podem permanecer em silêncio enquanto a maioria dos nossos membros se apressa para uma destruição eterna. (Ver II Testemunhos Seletos, pág. 31).

Nós na obra de sustento próprio (Self-Support) não podemos levar sozinhos a carga. Insto àqueles que se mantêm fiéis à verdade, a que rompam as cadeias da timidez, a negligência e o silêncio, e se unam ao esforço final para fazer que os membros de nossa igreja compreendam os tempos solenes em que vivemos, e apresentem a graça e o poder de Jesus para restaurar e redimir o Seu povo.

Tenho refletido em muitas conversas tidas com os meus irmãos ministros, e tenho procurado analisar porque razão aqueles que conhecem a situação e se alarmam perante a condição perdida da maioria em nossa igreja, não têm dado um passo adiante para desempenhar a função que certamente Deus os chamou a realizar em favor da salvação do Seu povo.

É minha oração que estas linhas sejam usadas pelo Espírito Santo para estimular as vossas consciências e incitar-vos ao arrependimento pela vossa inatividade do passado e animar-vos a realizar um solene pacto com o Senhor.

“Por amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não me aquietarei até que brilhe a sua retidão como a aurora, e a sua salvação como uma tocha acesa.” Isaias 62: 1.

A história repete-se; é pouca a diferença que existe entre a humanidade de hoje e a do passado. Estou convencido que mesma razão que impediu que muitos sacerdotes fiéis reconhecessem Jesus perante o Seu ministério terrestre, está impedindo que muitos pastores fiéis dêem um claro testemunho tanto a seus colegas como às suas congregações. Os problemas eram muito claros no tempo de Cristo.

“Contudo, muitos dentre as autoridades creram nele. Mas por causa dos fariseus não confessavam a sua fé, pois tinham medo de ser expulsos da sinagoga; pois amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (João 12:42, 43).

Você pode sentir um impulso imediato a dizer-lhe: “Isso não se refere a mim”. Mas, por acaso não é verdade que tememos acarretar o desagrado dos nossos colegas, o desagrado dos dirigentes da União, se permanecermos em pé em defesa da verdade ainda que “caiam os céus”? Por certo, entre aquele grupo encontravam-se homens como Nicodemos e José de Arimatéia; homens que reconheceram que Jesus era o Messias, mas não tiveram a coragem de declará-lo publicamente. Não obstante, chegou o tempo quando os seus companheiros no ministério haviam aviltado de tal maneira o seu chamado, e haviam crucificado ao mesmo Redentor que eles estavam dispostos a representar, que estes dois homens se deram a conhecer e declararam a sua verdadeira lealdade.

Eu vos exorto, ministros fiéis, a fazer o mesmo. Acaso não chegou o tempo já de declarar a vossa fidelidade? Sem terem em conta as consequências; não estimemos o preço, porque certamente o dia do Senhor se aproximou. Se estamos no final do tempo do fim, como podemos ocultar-nos sob um manto de silêncio? Um silêncio tal concede aprovação e apoio à apostasia e à infidelidade que existem no povo de Deus.

Estou quase seguro de que estas palavras serão lidas por alguns Nicodemos e José de Arimatéias. Anima-me a passagem bíblica que nos diz que depois do dia de Pentecostes “grande parte dos sacerdotes obedeciam à fé” (Atos 6:7). Mas, quanto se poderia haver realizado se esses membros sacerdotes houvessem tido a coragem de declarar abertamente a sua posição durante o ministério de Jesus! Poderiam eles ter salvado os dirigentes judeus de rejeitarem a Cristo? Cada momento que você, como ministro fiel, se demore em confessar aberta e corajosamente a sua fidelidade a Cristo, à Sua verdade e à grandiosa mensagem que Deus nos confiou hoje, cada momento que demore em denunciar os pecados e a apostasia na igreja, e em assinalar o remédio divino que se encontra em Jesus Cristo, é um  momento que muitas almas se endurecem ainda mais em sua apostasia e pecado, e talvez, ousaríamos dizer numa aliança irreversível com Satanás.

Penso que muitos ministros fiéis conformam-se a si mesmos com a ideia de que o seu silêncio e as suas cautelosas  declarações são um indício de controle e descrição nesta hora de polêmicas, mas na realidade, é muito mais provável que isso seja evidência de covardia e timidez. A tais homens eu lhes digo: “Coragem irmãos”. Somente podemos obter essa coragem permanecendo de joelhos perante o Senhor motivados pelo profundo e inquebrantável amor que sentimos pelos que estão tão certamente sem Deus e sem esperança ainda dentro da igreja (Ver Serviço Cristão, pág. 52).

O exemplo do profeta Jeremias é o que todos deveriam seguir. Leia Jeremias 26 cuidadosamente. O Senhor havia-lhe ordenado que falasse ao povo palavras de censura defronte ao átrio do templo. As suas palavras enfureceram aos sacerdotes e profetas, e com eles o povo exclamou: “certamente morrerás” Jeremias 26:8. Entretanto, a informação havia chegado aos ouvidos dos dirigentes seculares- os príncipes- e quando estes chegaram ao templo, imediatamente se apressaram a aprovar a sentença. “Então disseram os sacerdotes e profetas aos príncipes e a todo o povo: Este homem é réu de morte, porque profetizou contra esta cidade, como ouviste com os vossos ouvidos” (Jeremias 26:11).

Apesar desta ameaça de morte, a nenhum momento Jeremias suavizou as palavras da sua mensagem. “Jeremias, porém, disse a todos os príncipes e a todo o povo: O Senhor me enviou a profetizar, contra esta casa, e contra esta cidade, todas as palavras que ouvistes. Agora emendai os vossos caminhos e as vossas ações, ouvi a voz do Senhor vosso Deus. Então se arrependerá o Senhor do mal que falou contra vós. Quanto a mim estou em vossas mãos; Fazei de mim conforme o que for bom e reto aos vossos olhos. Sabei, porém, com certeza que, se me matardes, trareis sangue inocente sobre vós, sobre esta cidade, e sobre os seus habitantes. Porque na verdade, o Senhor me enviou a vós, para dizer aos vossos ouvidos todas essas palavras” (Jeremias 26:12-15). Foi esta coragem o que salvou a vida de Jeremias e conduziu aos príncipes a ignorar as súplicas dos sacerdotes e falsos profetas contra o verdadeiro profeta.

“Tivesse o povo sido intimidade pela ameaçadora atitude dos que estavam em posição de alta autoridade, sua mensagem teria sido sem efeito, e ele teria perdido a sua vida; Mas a coragem com que apresentou a solene advertência, conquistou o respeito do povo, e tornou os príncipes de Israel em seu favor.” Profetas e Reis, pág. 406.

A valentia de Jeremias, de quem Ellen White diz que era “de natureza tímida e recolhida” (Idem pág. 406), oferece um marcado contraste com o seu contemporâneo, o profeta Urias. Urias pregou a mesma mensagem de Jeremias (Jeremias 26:20), mas ao ser ameaçado de morte pelo rei Jeoiaquim, a sua coragem se debilitou. Cheio de temor, fugiu para o Egito, mas lá, os homens do rei encontraram-no e levaram-no de volta para a Jeoiaquim, o qual o matou a espada. A mensagem de Urias ficou sem efeito e a sua covardia não lhe salvou a vida. Atualmente, Deus está buscando os ministros que não somente creiam na verdade, mas que também a proclamem com poder, sem se importarem com as consequências.

Frequentemente cremos que homens bondosos, de um espírito dócil serão os que darão a mensagem de reforma ao povo, mas uma análise da história não confirma esta opinião. Sempre tem havido homens de coragem que falam a verdade e a justiça com honestidade e franqueza, que não têm vacilado perante as provas e circunstâncias mais terríveis. Basta-nos pensar nos que são como Elias, Daniel, João Baptista e M. Lutero para compreender a coragem que os fiéis servos de Deus necessitam nestes últimos dias. Como ministros, temos que nos questionar: “quem serão estes ministros que darão uma mensagem mais direta que a de João Baptista? Quem serão os ministros que se manterão ao “lado da justiça ainda que desabem os céus, que serão tão leais ao dever como a bússola ao pólo, ministros que não se venderão, nem comprarão, nem serão lisonjeados ou intimidados a abandonar a verdade de Deus?”

Tenho sido verdadeiramente comovido pela triste declaração de Ellen White por volta do ano de 1890: “A paciência de Deus tem um propósito, mas você o está anulando. Ele está permitindo que se desenvolva um estado de coisas que você de boa vontade desejará resolver no futuro, mas então será demasiado tarde. Deus ordenou  a Elias que ungisse ao cruel e falso Hazael  como rei da Assíria a fim de que este fosse um castigo para o Israel idólatra. Quem sabe que se Deus o abandonará aos enganos que você ama? Poderia ser que os pregadores fiéis, firmes e sinceros sejam os últimos a dar o evangelho de paz a nossas igrejas ingratas?

Pode ser que os destruidores já estejam sendo preparados sob a direção de Satanás e aguardem somente a morte de alguns poucos porta estandartes para tomar o seu lugar e, com a voz do falso profeta clamar:

‘Paz, paz, quando o Senhor não falou de paz. Raramente choro, mas agora os meus olhos estão cegos pelas lágrimas; e estas caiem sobre o papel enquanto escrevo. Pode ser que dentro de pouco tempo termine toda a profecia entre nós, e a vós que tem agitado o povo não perturbe mais o seu sono carnal’ (Testimonies, Vol. 5, pág. 77).
Querido pastor você pode ser a última voz de esperança e convite para o povo de Deus neste tempo. Deixar de admoestar amorosamente ao povo de Deus significa unir-se às fileiras do inimigo.

“Nenhuma superioridade de classe, dignidade ou sabedoria humana, nenhuma posição em serviço sagrado, guardará os homens de sacrificar o princípio quando abandonados a seu próprio enganoso coração. Aqueles que têm sido considerados como dignos e justos, demonstram-se cabeças de facção na apostasia, e exemplos na indiferença e no abuso das misericórdias de Deus. Ele não tolerará por mais tempo seu ímpio procedimento, e em Sua ira trata-os sem misericórdia. Testemunhos Seletos Vol. 2 pág. 66.

“A verdade há de proclamar-se em toda a sua aguda severidade. Necessitam-se homens de ação, homens que trabalhem com fervor, com energia incessante, pela purificação da igreja e para admoestar o mundo.” Serviço Cristão, pág. 283 (ed. castelhana).

Eis aqui algumas perguntas que por vezes tenho que as fazer a mim próprio, as quais me têm motivado a fixar a minha atenção em Deus ao pedir-lhe que me dê forças para cumprir com o chamado divino. A seguinte lista de sugestões poderá ser-lhe de grande ajuda.

1. Receia pregar a verdade presente porque esta pode causar divisão em sua igreja? Se assim é leia Primeiros Escritos, pág. 63. Você dar-se-á conta que mesmo que pregue preciosas verdades, se  ignora a verdade presente, Satanás poderá tomar vantagem sobre si e sobre o rebanho.

2. Está disposto a seguir as instruções de homens, mesmo quando estas estejam em conflito com o dever que Deus nos assinalou? Então recorde as palavras de Pedro: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens!” (Atos 5:29).

3. Teme perder a sua credibilidade e a sua reputação? Se assim é, recorde que Jesus se esvaziou a si mesmo a fim de salvar a cada um de nós para a eternidade (ver Filipenses 2:7).

4. Tem receio de perder as suas credenciais pastorais? Se assim é, você não é digno delas. Mas “se o ministro pronuncia palavras extraídas dos vivos oráculos de Deus, se crê na cooperação de Cristo, o Redentor do mundo; suas palavras alcançarão os seus ouvintes e sua obra trará as credenciais divinas.” Testemunho para ministros, pág. 144.

5. Sente temor de ser repudiado e rejeitado pelos seus companheiros de ministério? Lembre-se de que Cristo foi desprezado e rejeitado entre os homens. (ver Isaías 53:3)

6. Está você disposto a ver milhares de crentes precipitando-se para a destruição eterna? Então recorde as palavras do profeta Jeremias: “trarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o Senhor” (Jeremias 23:2).

7. Conforma-se em dizer que Deus ordenará todas as coisas a seu devido tempo? Recorde as palavras de Ezequiel: “Se eu disser ao ímpio: ó ímpio, certamente morrerá, e tu não falares, para desviar o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, mas o seu sangue eu o requererei da tua mão” (Ezequiel 33:8).

8. Está você justificando a negligência no cumprimento do seu dever dizendo que aqueles que estão dando à trombeta um sonido certo não o fazem de maneira correta? Que criticam muito? Então leia Isaías 1; ou melhor, ainda, leia na sua totalidade os livros de Jeremias, Ezequiel, Miquéias e Sofonias. Leia as palavras de João Baptista respectivamente, e certamente as palavras de Cristo em Mateus 23.

9. Está disposto a aceitar milhares de acusações contra mensageiros fiéis mesmo na ausência de fatos comprovados? Se assim é, recorde que milhares de acusações não se podem igualar a uma evidência. Recorde também que: “Embora a calúnia possa enegrecer a reputação, não pode manchar o caráter. Este se encontra sob a guarda de Deus. Enquanto não consentirmos em pecar, não há poder, diabólico ou humano, que nos possa trazer uma nódoa à alma.” Pensamentos Sobre o Sermão da Montanha, pág. 35.

10. Questiona-se interiormente acerca do se tem passado com as revistas e as publicações da nossa igreja, enquanto que publicamente os recomenda e sanciona entre os membros da sua igreja? Então recorde as palavras da serva do Senhor: “Que todo o artigo que se imprime na Review and Herald seja de caráter tal, que reflita a luz no meio das trevas morais deste mundo. Cada coluna há de estar repleta da preciosa verdade” (Counsels to Writers and Editors, pág. 105).

11. É culpado de haver-se unido a pastores que você sabe serem mundanos e apóstatas, com o fim de lutar contra os fiéis mensageiros que sentem uma verdadeira preocupação pela salvação das almas? Referindo-se aos ministros de Deus que não permanecem fiéis durante a crise final, a serva de Deus disse: “Foram outrora servos fiéis, favorecidos com Sua presença e guia: d’Ele se apartaram, porém, e induziram outros ao erro e caiem, portanto, no desagrado divino” (Testemunhos Seletos, Vol. 2, pág. 67).

Companheiro de ministério, o meu desejo é que não considere o risco, mas que se converta numa fiel sentinela das muralhas de Sião. Rogue a Deus para que possa ter “o valor dos heróis e a fé dos mártires” (Testimonies, Vol. 5, pág. 187).

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